Obras e Estudos Críticos SOBRE Ricardo Ramos

Literatura e comunicação: as “Nordestinas” na capital

 

AUTOR

Aroldo José Abreu Pinto

 

REFERÊNCIA COMPLETA

PINTO, Aroldo José Abreu; SOUZA, Shirlene Rohr (Orgs.). Arte e Comunicação em um mundo fungível. 01. ed. São Paulo: Arte e Ciência, 2011. 176p.

 

“A função da crônica é explodir, é não deixar a peteca cair, é acordar as pessoas que estão dormindo de olho aberto, e gritar”.

Lourenço Diaféria

O capítulo tem como objetivo tomar como matéria de reflexão as intersecções entre arte e comunicação na crônica “Nordestinas”, de Ricardo Ramos.

Resumo

Tomar a arte e a comunicação como objeto de reflexão exige, como é patente, caminhar por veredas que admitem representações as mais diversas e, por isso mesmo, uma controversa percepção do mundo de nuanças que embasam nossas relações em sociedade, ao mesmo tempo em que instaura e prescreve a necessidade de compreender uma espécie de tensão dialética própria das áreas de convergência do conhecimento que dialogam “com” ou “por meio” das diferentes linguagens que consolidam a arte e a comunicação. Tomadas ou tortuosamente vincadas por um conjunto de fatores sociais, as discussões sobre a relação entre arte e comunicação requerem, portanto, um meticuloso exercício de avançar e retroceder na percepção dos múltiplos fenômenos que ocorrem em sociedade e que compõem determinada matéria, num determinado local e sob determinados cerceamentos. Este ir e vir – conjunto de cuidados necessários a todo estudioso que tenha a pretensão de promover uma discussão mais acurada sobre a arte em confluência com a comunicação – instaura um espaço em que a natureza ou a forma de abordagem pode significar o sucesso ou insucesso da percepção dessa tensão própria da contemporaneidade ou do mundo “pós-moderno”, como querem alguns. Dito isso e, é claro, sem a pretensão de prontidão ou desvelamento univocal, Arte e Comunicação em um mundo fungível situa-se nesse entremeio das não-certezas. Como revela o adjetivo que fecha o título deste trabalho, o fungível é o “que se gasta, que se consome após o uso” ou, por derivação, é o que é “passível de ser substituído por outra coisa de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor” (Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa). Portanto, as discussões que aqui se apresentam, mais do que encobrir, resguardar ou encerrarem-se num objetivo unidirecional, abrem-se para novos rumos de discussão. Talvez seja essa a maior qualidade deste trabalho coletivo: o de tomar as relações entre arte e comunicação justamente pelo viés da multiplicidade e pelo olhar daquilo que parece fugidio, do que parece fugaz, enfim, do que parece efêmero em sua constituição primeira. No entanto, e para concluir, vale frisar que o que se perde aos olhos rapidamente e o que se transforma pela voracidade das relações sociais não pode ser apagado ou simplesmente ignorado, pois coloca em evidência toda a complexidade da nossa cultura, desenovelando-a. As considerações, observações, experiências, análises e juízos contidos em Arte e Comunicação em um mundo fungível lançam uma tênue luz sobre alguns dos valores assinalados como pertencentes ao nosso tempo e, do mesmo modo, vislumbram a assimilação do que é cognoscível nos limites dessas discussões em outras épocas e que se sobrepõe ordenada ou desordenadamente em diferentes momentos da nossa sociedade. Nos capítulos que se seguem, o leitor poderá constatar a concretização desses aspectos, numa organização que buscou mesclar discussões de cunho mais filosófico – capítulos “Comunicação e arte: galo ou rouxinol?”, “Ética e literatura: alguns apontamentos”, “Arte, literatura e comunicação nos textos tardios de Habermas” e “A arte sob o olhar da filosofia: o lugar das arestas” – com discussões teóricas que perpassam pelo recorte e aplicação em um objeto definido (jornal, vídeo, cinema) – capítulos, “Arte e comunicação: as “Nordestinas” na capital”, “A linguagem e a produção de sentido na arte videográfica”, “O jornalismo sob a envergadura capitalista: a dialética de interesses em O informante” e “Os limiares éticos sob o olhar da Comunicação e Arte” –, atingindo discussões mais pontuais como o capítulo final: “Flashmobs, highterização periférica e moda: uma reflexão sobre as novas interfaces visuais das cidades contemporâneas”. Fecha a obra uma miniautobiografia dos autores.

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