Bibliografias SOBRE Ricardo Ramos

O P.C. agora é família. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 13 out. 1953.

 

PROTESTAM OS COMUNISTAS CONTRA OS PALAVRÕES DE JOSÉ LINS DO REGO

 

ACUSANDO José Lins do Rego de escrever “a serviço dos interesses dos opressores contra os oprimidos”, o Partido Comunista decidiu condenar “Cangaceiros”, o último livro do romancista paraibano.
Em artigo publicado no suplemento dominical da “Imprensa Popular” sob o título ”Zé Lins e os Palavrões”, um literato “progressista” que se assina M. T. vitupera, mui pudicamente, a linguagem livre dos cangaceiros do romance.
Esquecido de que o linguajar dos personagens de Jorge Amado, o escritor oficial do Partido Comunista, é muito pouco “policiado”, em romances publicados após 1930, o burocrata literário afirma:
– “A fase do realismo pornográfico foi de muito ultrapassada: era moda em 1930, no tempo da juventude de Zé Lins”.
Apesar de inimigo dos palavrões, o Sr. M. T. irritou-se também com a censura feita pela revista “O Cruzeiro”, ao publicar o romance em capítulos. Embora o próprio José Lins, em “O Globo”, criticasse a censura, é acusado por se submeter ao “puritanismo”. O poeta Manuel Bandeira, que elogiou a obra, é chamado, desdenhosamente, de “criador da teoria do poeta sórdido”.
Na mesma página do suplemento. O Sr. Dalcídio Jurandir, que estreou, com muito alarde, durante o Estado Novo, publicando um livro chamado “Chove nos Campos de Cachoeira”, passa um carão no jovem critico Ricardo Ramos filho do falecido Graciliano.
Ricardo escreveu um artigo no “Diário de Notícias” saudando as “obras definitivas” que apareceram ultimamente sobre o cangaço – a peça “Lampião”, de Raquel de Queiroz, e o romance de José Lins que, segundo afirmou, traz a “mais completa visão do fato social que o motivou”.
Disse ainda que José Lins “é dos que melhor fixam a nossa terra” e alcança “um difícil equilíbrio no estudo dos ângulos individual e coletivo de nossos problemas”.
O Sr. Jurandir investe maciçamente contra o artigo, citando a “Voz Operária” – o jornal teórico do P.C. que afirma que “as massas estão em movimento” – para colocar o crítico diante do dilema de ser “um jovem piloto” ou um “boi morto”, pejorativo inspirado num poema de Manuel Bandeira.
“Os escritores e artistas não podem tapar os ouvidos à tempestade que se aproxima” – informa o Sr. Jurandir. “Quando se trata de crítica literária não é possível limitarmo-nos a uma cautelosa apreciação, pretensamente objetiva da obra, aparentando tática ou isenção, renunciando ao espírito crítico, colocando o livro acima dos pontos de vista políticos do autor e de quem o aprecia”.
Dizendo que o artigo foi “amistoso e laudatório” o sr. Jurandir aconselha o crítico Ricardo Ramos a meditar sobre a “Voz Operária”, transformando-se num “jovem piloto da futura tempestade” segundo a famosa frase de Herzen, citada por Lenine.
Esvoaçando em torno do romance de José Lins do Rêgo, os burocratas literários do Partido Comunista evitam, cuidadosamente, fazer apreciações críticas da obra. Essa posição leva, inevitavelmente, a uma destas duas suposições:
Ou não há, nos quadros literários do P.C., quem seja capaz de criticar, dentro da “linha justa”, mas com inteligência, o romance “Cangaceiros”, ou não é possível criticá-lo inteligentemente, mas, de acordo com a linha do partido.
Esta última suposição nos parece a mais provável.

Referências Bibliográficas

O P.C. agora é família. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 13 out. 1953.

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