Bibliografias SOBRE Ricardo Ramos

O filho defende o pai. Diário de Minas, 08 dez, 1953.

 

“ACUSAÇÃO LEVIANA E PUERIL”

Ricardo Ramos explica como foram escritos os quatro volumes de “Memórias do Cárcere”

 

Rio, 7 (D.M.) – A propósito das acusações de Wilson Martins, ouvimos Ricardo Ramos, que trabalha como redator da firma publicitária Walter Thompson. Ouvido serenamente o repórter, que exibia o recorte do Estado de São Paulo, o jovem escritor respondeu-nos:
– Só agora tomei conhecimento desse artigo. Trata-se de uma acusação leviana e pueril. Uma calúnia infantil. Lamento que tenha partido de um escritor. Pelo visto, Wilson Martins parece desconhecer o próprio ofício ignorando por completo e mecanismo da elaboração de um livro.

A TÉCNICA DE GRACILIANO RAMOS

– No caso de meu pai – continua Ricardo Ramos –, o seu processo literário exigia escrever duas ou três vezes o mesmo capítulo. Com as “Memórias”, por exemplo, escrevia primeiro a lápis (primeiro original); copiava-o depois a tinta (emendando e corrigindo); em seguida, mandava passa á máquina, sofrendo ainda uma terceira original novas emendas e correções. É mais do que evidente que os “fac-similes” não poderão corresponder ao texto impresso. Há muita coisa diferente. E por essa simples razão, na qual só um leviano poderá enxergar improbidade.

A PROVA DA CALÚNIA

– É muito fácil tirar a prova da calúnia – observa Ricardo Ramos. À proporção que os originais eram dactilografados, meu pai os entregava ao editor José Olimpio, que os trancava no cofre. Isto desde 1945 ou 1946. Do cofre do editor, foram diretamente para a tipografia.

EXPLICAÇÃO FINAL

Quanto á sua participação na edição das “Memórias do Cárcere”, disse-nos ainda Ricardo Ramos:
– Minha participação é quase nula. Convidado pelo editor escrevi a “Explicação Final”. Nem a revisão das provas foi feita por mim, integralmente. Quem fez a revisão foi à própria Livraria, cuja probidade é reconhecida no Brasil como no estrangeiro. Limitei-me a emprestar uma pequena ajuda na revisão. Procurando esclarecer uma ou outra dúvida, de resto sem maior importância. “Por ora, é só o que tenho a dizer”.

Referências Bibliográficas

O filho defende o pai. Diário de Minas, 08 dez, 1953.

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