Bibliografias SOBRE Ricardo Ramos

Adulteradas as memórias de Graciliano Ramos. Diário de Minas, 08 dez. 1953.

 

ADULTERADAS AS MEMÓRIAS DE GRACILIANO RAMOS – GRAVE ACUSAÇÃO DO CRÍTICO LITERÁRIO DO PARANÁ

 

SÃO PAULO,07. O escritor paranaense Wilson Martins, em artigo publicado com a maior destaque no suplemento literário de “O Estado de São Paulo”, na sua edição dominical acusa o filho de Graciliano Ramos de ter deturpado a obra paterna, “Memórias do Cárcere”, recentemente publicada, em edição com a livraria José Olimpio, em 4 volumes, e que é, sem dúvida, o livro mais discutido do momento.
Classificando Graciliano de “péssimo comunista”, Wilson Martins afirma que o romancista “só era tolerado por seus companheiros em virtude do prestígio do seu nome e não escaparia, provavelmente, do primeiro expurgo sério”. Daí passou à grave acusação contra Ricardo Ramos, também escritor, e filho do autor de “Angústia”, responsável pela “Explicação Final” das “Memórias do Cárcere”.
Infelizmente, estas “Memórias”, na edição atual, não merecem confiança. Publicadas pelo Sr. Ricardo Ramos, que suponho filho do autor (um daqueles filhos a que ele se refere, jovens entusiastas da Revolução pichadores de paredes), elas aparecem certamente amenizadas, truncadas ou modificadas, pois é quase certo que o temperamento crítico de Graciliano Ramos não se tenha transmitido aos seus descendentes. Avalio perfeitamente a gravidade do que afirmo, mas as minhas suspeitas são confirmadas pelos “fac-similes” dos originais, anexados a estes volumes; por eles se verifica que o texto deixado pelo escritor não foi seguido na parte impressa, onde há interpolações, correções, cortes, que não constam do manuscrito, e até palavras riscadas substituídas por Graciliano Ramos aparecem no livro em lugar das que ele tinha preferido na releitura”.

COMPARANDO OS “FAC-SIMILES”

Comparando os “fac-similes”, publicados na edição de “Memórias do Cárcere” com o texto, verificou Wilson Martins algumas discrepâncias, citando dois exemplos que realmente não coincidem, levantando então a dúvida: o livro teria sido falsificado, em proveito do Partido Comunista (muito embora, o próprio crítico considere linhas atrás, no artigo que escreveu para “O Estado de São Paulo”, “Memórias do Cárcere” como a “crítica mais feroz” que já recebeu o Partido Comunista do Brasil).
Levantando a dúvida depois de citar os dois exemplos, Wilson Martins concluiu o seu libelo:
“Esses indícios são dos mais graves, porque incrustam definitivamente a dúvida no espírito do leitor: Trechos fundamentais destas “Memórias” – julgamento sobre o Partido Comunista, por exemplo, ou sobre os homens, ou ideias pessoais de Graciliano Ramos – não teriam também, sido modificados ou suprimidos? E por que se pública, então, o “fac-simile”, que é a prova de que a redação do autor não foi respeitada? A primeira condição de um livro póstumo, e da importância destas “Memórias”, é a mais escrupulosa probidade, a do respeito mais complexo ao texto deixado pelo escritor: até os seus erros evidentes devem ser mantidos, admitindo-se, quando muito, notas explicativas do editor”.

Referências Bibliográficas

Adulteradas as memórias de Graciliano Ramos. Diário de Minas, 08 dez. 1953.

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